Chellah ou Chella (em árabe: شالة) é um sítio arqueológico onde se encontram ruínas da cidade de romana de Sala Colônia e uma necrópole medieval merínida, situado nos subúrbios de Rabat, Marrocos, perto da margem sul do rio Bu Regregue. É o assentamento humano mais antigo que se conhece na área de Rabat e Salé.
É provável que os primeiros habitantes das margens da foz do Bu Regregue tenham sido os fenícios, que fundaram vários entrepostos comerciais em Marrocos. No entanto, os vestígios mais antigos encontrados em Chellah são do período romano. As escavações revelaram a presença duma aglomeração humana com alguma importância, a cidade que é mencionada como Sala por Ptolomeu (90–168) e Sala Colônia no Antonino (r. 138–161), uma das cidades da província romana da Mauritânia Tingitana.
As ruínas do Decúmano Máximo (rua principal) foram desenterradas, bem como as do fórum, uma fonte monumental, um arco do triunfo, uma basílica cristã, etc. Mediante sondagens geológicas, feitas na direção do antigo porto do Bu Regregue, atualmente assoreado, concluiu-se que a via principal da cidade romana continuava até ao porto e que os limites da cidade ultrapassavam a muralha posterior dos merínidas.
Uma das duas principais estradas romanas de Marrocos chegavam ao Atlântico através de Júlia Constância Zilil (Arzila), Lixo (Larache) e Sala Colônia. Pode ter existido ainda uma outra estrada, que ligava Sala Colônia a Anfa (Casablanca). Juntamente com Mogador (Essaouira), Sala Colônia eram os principais centros navais romanos e expedições romanas navegavam dali até às ilhas Canárias.
No século XI os berberes da tribo Banu Ifran apoderaram-se da cidade e transformaram-na numa das suas metrópoles, situação que se manteria até os almorávidas terem tomado o poder. A cidade foi abandonada em 1154 em favor de Salé, no outro lado do rio. O Califado Almóada usou a cidade fantasma como necrópole.
Chellah foi abandonada durante vários séculos, até que em meados do século XIV os merínidas a escolheram para edificar a sua necrópole. Como indicado na inscrição cúfica que se encontra sobre a porta de entrada, os trabalhos foram concluídos em 1339, durante o reinado de Abu al-Hasan ‘Ali. A ocupação do lugar foi progressiva e as obras posteriores deram origem a uma sumptuosa necrópole.
Muitas das estruturas de Chellah foram danificadas pelo sismo de Lisboa de 1755. Atualmente, o local funciona como jardim público e atração turística.