O Ladakh extremo norte-noroeste do subcontinente Indiano que desde o século XIX faz parte de Caxemira. À exceção da sua parte nordeste, o Aksai Chin, ocupado pela China durante a guerra sino-indiana de 1962, o seu território faz parte da Índia. O Ladakh indiano é a maior das três regiões do estado de Jamu e Caxemira, do qual constitui a sua parte oriental, ocupando uma área de 86 904 km², 40% do estado. É a região menos densamente povoada da Índia — em 2011 tinha 274 289 habitantes.Conhecido como “Pequeno Tibete”, é famoso pelas suas paisagens montanhosas e pela sua cultura budista tibetana, embora a parte ocidental seja quase exclusivamente muçulmana. A sua maior e mais importante cidade é Leh.
É uma das regiões habitadas mais altas do mundo — a altitude da maior parte do território é superior a 3 000 metros. É constituída quase exclusivamente por montanhas e alguns planaltos de grande altitude. A parte sob administração indiana estende-se desde o vale de Caxemira a oeste, até ao planalto tibetano a leste. A sul, a fronteira com o estado de Himachal Pradexe passa ao longo das vertentes norte dos chamados Grandes Himalaias e a norte é limitada pelas linhas de controlo do Paquistão. É uma região extremamente isolada — as fronteiras internacionais não só estão encerradas como são palco de frequentes incidentes, quando não de combates, e só há duas estradas que ligam com o resto da Índia: a estrada Srinagar–Leh, a oeste, com 534 km, que entra no Ladakh pelo passo de montanha de Zoji La, e a estrada Manali–Leh, a sul, com 475 ou 490 km, na qual há vários passos a mais de 4 000 metros e três a mais de 5 000 m. Ambas as estradas geralmente permanecem fechadas entre o outono e a primavera devido à neve.
A grande maioria dos habitantes das zonas norte e leste seguem o budismo tibetano. Na parte ocidental, a religião da maior parte da população é o islão xiita. A quantidade de fiéis dessas duas religiões é sensivelmente o mesmo, concentrando-se os budistas no distrito de Leh e no Zanskar e os muçulmanos no na parte do distrito de Kargil que não fica no Zanskar. A principal língua é o ladaque, uma língua aparentada com tibetano, mas é comum, pelo menos entre a população letrada, o domínio do hindi, urdu e do inglês. Além destas, há diversas línguas maternas, como o balti, shina ou o burig, usados no distrito de Kargil e uma série de dialetos. Os habitantes são de etnias tibetanas, e indo-arianas, maioritárias na parte ocidental.
No passado, o Ladakh foi um local importante para o comércio entre a Índia, Ásia Central e Tibete devido à sua localização estratégica no cruzamento de diversas rotas comerciais entre aquelas regiões, mas o comércio internacional extinguiu-se no início da década de 1960 devido à China ter fechado as fronteiras com o Tibete e com Xinjian. Desde 1974 que o governo indiano tem vindo a incentivar com sucesso o turismo, que atualmente é uma das principais fontes de receita da região. Devido à sua importância estratégica e às fronteiras disputadas, onde são frequentes os incidentes militares, as forças armadas indianas mantêm uma forte presença na região e têm a seu cargo as principais estradas.