Mar da Galileia, também conhecido como mar de Tiberíades ou lago de Genesaré é um extenso lago de água doce localizado no Distrito Norte de Israel, na Palestina. É o maior lago do país e tem comprimento máximo de cerca de 19 quilômetros e largura máxima de cerca de 13 km, sendo que sua área total abrange 166,7 km². Na moderna língua hebraica é conhecido por Yam Kinneret. O seu afluente principal é o rio Jordão, que vem do monte Hérmon e de Cesareia de Filipe, e que é também o seu efluente, seguindo depois para o mar Morto.

O mar da Galileia fica a 213 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo e é considerado um mar isolado por não ter nenhuma ligação com outros mares ou oceanos. Nos tempos do Novo Testamento, ficavam nas suas costas a cidade de Tiberíades — fundada por Herodes Antipas ao tempo da infância de Jesus —, Cafarnaum, Betsaida e Genesaré, entre outras. Hoje Tiberíades é a localidade principal nas margens do lago. A nordeste deste lago ficam os montes Golã.

Grande parte do ministério de Jesus decorreu nas margens do lago de Genesaré. Naqueles tempos, havia uma faixa de povoamentos à volta do lago e muito comércio e transporte por barco. No entanto, sabe-se que a Galileia era uma região mais pobre do que a Judeia, de modo que a população do local atravessava momentos difíceis durante o primeiro século da era comum.

Os evangelhos de Marcos (Marcos 1:14-20) e Mateus (Mateus 4:18-22) descrevem como Jesus recrutou quatro dos seus apóstolos nas margens do lago de Genesaré: o pescador Pedro e seu irmão André, e os irmãos João e Tiago.

Um famoso episódio evangélico, o Sermão da Montanha, teve lugar numa colina com vista para o lago e muitos dos milagres de Jesus também aconteceram aqui: caminhada pela água, acalmar uma tempestade, alimentar cinco mil pessoas e muitos outros.

Em 135, os judeus foram derrotados na terceira guerra judaico-romana, também chamada revolta de Bar Kohba. Os romanos responderam com o exílio forçado de todos os judeus de Jerusalém. O centro da cultura judaica passou então a ser esta região do Quineret, particularmente a cidade de Tiberíades. Foi provavelmente nesta região que o chamado “Talmud de Jerusalém” foi compilado.

Com as invasões dos árabes e a longa ocupação dos turcos otomanos na região que durou até ao fim da Primeira Guerra Mundial, a Galileia bíblica foi praticamente toda destruída, de modo que restaram apenas algumas ruínas das antigas cidades que ficavam nas proximidades do lago, hoje muito visitadas pelos turistas em Israel.

O lago recebe água principalmente do rio Jordão, que é também o seu efluente a sul, drenando para o mar Morto, formando com este o conjunto mais notável de acidentes geográficos no vale do Jordão, formado pela separação das placas tectónicas africana e arábica. Consequentemente a região encontra-se sujeita a sismos, e, no passado, também a atividade vulcânica. Tal é evidente dada a quantidade de basalto e outras rochas ígneas que definem a geologia da Galileia.

Constitui um recurso hídrico de enorme importância para Israel. Há canalizações que permitem o abastecimento de cidades com água doce e para irrigação de campos, essencialmente na zona do deserto do Negev. É o lago de água doce mais baixo do mundo, situando-se 213 m (em média) abaixo do nível médio das águas do mar. A sua profundidade máxima é de 43 m.

Durante uma varredura de rotina feita com um sonar (publicada em 2013), arqueólogos descobriram uma enorme estrutura de pedra cônica. A estrutura, que tem um diâmetro de cerca de 70 metros, é feita de rochas e pedras. As ruínas são estimadas entre 2.000 e 12.000 anos de idade e estão a cerca de 10 metros debaixo d’água. O peso estimado do monumento é de mais de 60.000 toneladas. Os pesquisadores explicam que o sítio arqueológico se assemelha a locais primitivos de sepultamento na Europa e provavelmente foi construído no início da Idade do Bronze.

Em 1964, o governo da Síria tentou construir um “Plano de Desvio” que teria bloqueado o fluxo de água para o mar da Galileia, reduzindo drasticamente o volume do lago. Este projeto e a tentativa de Israel de bloquear esses esforços em 1965 foram fatores que aumentaram as tensões regionais e que culminaram na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Durante a guerra, Israel capturou as colinas de Golã, que contêm algumas das fontes de água do mar da Galileia. Cerca de 400 milhões de metros cúbicos de água é bombeada no Sistema Nacional de Águas anualmente. Nos termos do tratado de paz entre Israel e Jordânia, o governo israelense também fornece 50 milhões de metros cúbicos (1,8 × 109 pés cúbicos) de água por ano aos jordanianos.

O aumento da procura de água e invernos secos resultaram em uma pressão extra sobre o lago, o que diminuiu para níveis perigosamente baixos o nível da água. O mar da Galileia está em risco de se tornar irreversivelmente salinizado pelas nascentes de água salgada sob o lago, que são contidas apenas pelo peso da água doce em cima delas.

O governo israelense monitora os níveis de água e publica os resultados diariamente na internet. O registro do nível ao longo dos últimos oito anos pode ser acompanhado. No início de 2013, o nível da água do lago estava no ponto mais alto em oito anos. A Autoridade da Água, em parte, atribuiu o resultado à melhoria da expansão da tecnologia de dessalinização como uma fonte de água para a população.